O mito do músculo preguiçoso

Um dos maiores receios das famílias é a atrofia por desuso. No entanto, na neuropediatria, o cenário pode ser diferente: em alguns casos, a dificuldade de fortalecimento está associada a desalinhamentos biomecânicos.

Agora imagine tentar correr usando sapatos três números maiores ou com os pés desalinhados. Você gastaria mais energia e provavelmente sentiria desconforto.

A órtese atua justamente corrigindo esse eixo do corpo. Ao alinhar o pé e o tornozelo, ela pode favorecer um recrutamento muscular mais eficiente, especialmente em coxa e quadril. Ou seja, a órtese não realiza o movimento pela criança, ela cria condições para que o movimento aconteça de forma mais funcional.

Quando a órtese se torna uma aliada?

O uso desses dispositivos não é indicado para todos os casos, sendo sempre baseado em avaliação clínica individualizada. Veja alguns dos principais benefícios:

– Prevenção de deformidades: em crianças com espasticidade, o uso da órtese auxilia na manutenção do alongamento muscular e na proteção das articulações.

– Ganho de equilíbrio: ao oferecer uma base mais estável para o contato do pé com o solo, o sistema nervoso passa a receber informações sensoriais mais organizadas, o que pode favorecer a postura e a marcha.

– Economia de energia: com melhor alinhamento corporal, a criança pode apresentar menor gasto energético, o que contribui para maior tolerância às atividades do dia a dia.

– Segurança: pode reduzir o risco de quedas, especialmente em casos com alterações no padrão de marcha.

A órtese ideal não é a mesma para todos

Não existe um modelo único. Na Neuronapse, a prescrição da órtese é baseada em uma avaliação detalhada da marcha e da biomecânica.

Existem modelos mais rígidos, voltados ao controle postural, e modelos mais flexíveis, que permitem maior mobilidade do tornozelo. A escolha depende do objetivo terapêutico e do momento do desenvolvimento da criança.

O papel da família e da terapia

A órtese, isoladamente, não é suficiente. Ela faz parte de um plano terapêutico que inclui fisioterapia, com foco no fortalecimento e na funcionalidade.

Além disso, o período de adaptação exige tempo e consistência. Trata-se de um novo recurso que a criança precisa incorporar à sua rotina e ao seu esquema corporal.

A órtese não atrapalha o desenvolvimento. Pelo contrário, ela pode atuar como uma aliada importante, ajudando a direcionar o esforço da criança para movimentos mais funcionais e eficientes, contribuindo para sua independência.

Seu filho usa órtese ou recebeu uma indicação e você ainda tem dúvidas? Na Neuronapse, realizamos avaliações biomecânicas completas para indicar o recurso mais adequado para cada fase do desenvolvimento!